Mostrar mensagens com a etiqueta cozinha regional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cozinha regional. Mostrar todas as mensagens

domingo, novembro 04, 2012

Ensopado de borrego à moda da minha mãe






Para começar, a “mãe” desta receita não é a minha!! Mas sim a Dona Carolina, mãe da nossa querida amiga Celeste. O ensopado de borrego que tantas vezes experimentamos foi testado pelas suas mãos carinhosas, por anos de experiência e servido com a alegria que lhe era própria.
Obrigado por esta tradicional receita alentejana.
Agora vamos partilhá-la para que muitos mais possam aproveitar este prato tão simples e saboroso.
Uma refeição para ser feita sem pressas... e saboreado com quem se gosta... vagarosamente... hum.... uma delícia!


Vai precisar de:

+- 1,5kg de borrego (bem novinho), cortado em pedaços (usei parte da perna e parte de peito)
4 colheres de sopa de azeite
+- 1 dl de vinagre (a gosto)
1 copo de vinho branco
3 folhas de louro
4 dentes de alho (bem picados)
4 cebolas grandes, cortadas às rodelas muito fininhas
sal q.b.
(se gostar, pode acrescentar também cravinho e pimenta em grão; apesar da receita original não levar, experimentei e ficou muito bom)

Modo de fazer:

Comece por levar o borrego ao lume coberto de água (é mesmo só até cobrir).
Quando começar a aparecer espuma, vai-se retirando até a água começar a ficar limpa (a espuma começa a ficar branca).





Assim que a carne estiver já a começar a ficar macia, junta-se o louro, alhos e cebolas, sal e restantes temperos. Se for necessário, junte mais água.



Quando o borrego estiver quase, quase cozido, junta-se o vinho, o azeite e o vinagre e fica a apurar (o vinagre é só para quebrar o sabor da gordura do borrego). Deve ficar em fogo baixo, para ir cozinhando lentamente. Mais uma vez, acrescente água se necessário. O objectivo é ficar com líquido tipo sopa.

Quando estiver pronto pode acrescentar batatas às rodelas grossas. É só continuar a ferver até ficarem cozidas.

Sirva em prato fundo, em cima de fatias de pão alentejano.
Acompanhe com um bom vinho tinto; se alentejano, ainda melhor!
E saboreiem devagarinho... com uma boa conversa!




Reconfortante!

domingo, março 01, 2009

Feijoada de sames de bacalhau


Às vezes há desses pratos estranhos… e desconhecidos da gente mais nova…

também para nós foi uma novidade. Encontramos os sames em Vila Praia d’Âncora e foram-nos apresentados como um verdadeiro acepipe, apreciado pelas gentes do mar… e que remontava aos bacalhoeiros.
Ficamos a saber que os sames correspondiam ao bucho do bacalhau e que eram retirados ao peixe, juntamente com as linguas e as cabeças, e salgados, enquanto o bacalhau propriamente dito era preparado inteiro, tal como o conhecemos.

Enquanto o bacalhau ia sendo apreciado, os sames ficaram confinados à mesa dos pescadores.
Hoje em dia não são muito conhecidos, apesar de ainda haver os seus apreciadores, sobretudo nas zonas piscatórias, onde é considerado um prato tradicional (talvez em vias de extinção!).

Das receitas, ficamos a saber que é usualmente comido em feijoada ou com grão.

quisemos experimentar… e, mãos à obra… foi o que fizemos: feijoada de sames de bacalhau!

Os sames ficaram de molho, durante a noite, para que o sal fosse retirado. Também o feijão branco ficou de molho.

No dia, o feijão foi cozido só com um fio de azeite. E os sames foram limpos, retirando-se a pele escura e alguma cartilagem que trazia.

À parte, foi feito um refogado com azeite, cebolas e alho picados, a que se acrescentou cenouras em rodelas, uma folha de louro e tomate pelado picado. Temperou-se com sal, pimenta, cominhos, noz-moscada, salsa e deixou-se apurar um pouco.
Acrescentaram-se os sames de bacalhau, envolveu-se e juntou-se tudo ao feijão. Deixamos a apurar em fogo baixo, rectificamos os temperos e acrescentámos um pouco de picante.

De prova em prova, as desconfianças iniciais foram sendo ultrapassadas… não é que estava mesmo bom?
Só faltava convencer os amigos!

Foram convidados o Antonio e Celeste, o João Luís e Ninita, e a Dina para um jantar surpresa! Grande coragem!

Ninguém adivinhou o prato (apesar da Celeste ter desconfiado!)… foram provando e só quando já estavam convencidos é que revelamos a iguaria!

Sucesso absoluto para os sames de bacalhau em feijoada! Acompanhamos com arroz branco e um bom vinho tinto.

Esta não será propriamente uma receita para iniciados, mas vale a pena tentar! Ficamos a saber que nas lojas tradicionais de venda de bacalhau (por exemplo aquelas na Rua do Arsenal, em Lisboa) é possível encontrar os sames de bacalhau! Ou então nas mercearias mais populares, sobretudo em zonas piscatórias.

E agora que todos gostaram, vamos ter que repetir!!

segunda-feira, setembro 29, 2008

Arroz Carreteiro


Do pantanal mais profundo, seguimos para o Rio dos Peixes onde aproveitamos para tomar banho nas cachoeiras, ver as grutas e mergulhar no rio de "tirolesa"! Que aventura!

E depois... que fome!

nada como um bom almoço e um sono na rede para recuperar as forças!

A mesa era farta e o arroz carreteiro (ou arroz-de-carreteiro) era uma delícia.


Ficamos a saber que este prato típico tem o seu nome inspirado na comida dos mercadores ambulantes que atravessavam o sul do país em carretas puxadas por bois ("carreteiros") e aproveitavam os restos do churrasco e os comiam juntamente arroz.

Espertos que eles eram, porque a mistura ficou mesmo boa!

A receita que aqui publicamos é de Licinia C.R. Campos e encontramos na SIC .



Ingredientes:

- 2 xícaras de arroz
- 600 g de carne de charque, sem gordura (deixar de molho em água desde a noite anterior)
- 2 paios cortados em cubinhos
- 100 gr de bacon cortado em cubos pequenos
- 4 tomates maduros, bem vermelhos
- 2 pimentos verdes
- Sal
- Óleo


Modo de Preparo:

Fritar o bacon no óleo e quando estiver bem frito coloquar a carne de charque cortada em cubos pequenos.
Frite até que fique dourada.
Colocar o arroz e deixar fritar junto com a carne. Quando já estiver frito, juntar os tomates e os pimentos cortados em cubos pequenos, o paio e misturar.
Deitar a água fervendo e deixar o arroz cozinhar até que fique macio. Pode ir juntando água se necessário. E convém não deixar secar, deve ficar molhadinho, tipo risotto.

pode servir com queijo ralado e ovos cozidos.


sábado, setembro 13, 2008

Sopa Paraguaia... sopa?

Depois das óptimas férias que fizemos por terras brasileiras com os nossos queridos amigos António e Celeste, resolvemos partilhar os sabores encontrados fazendo uma “viagem gastronómica”. Contaremos das comidas e dos locais encantadores por onde fomos passando. É uma maneira de ir eternizando o tempo e as boas experiências.

Começamos a viagem pelo Pantanal, no Mato Grosso do Sul. Ficamos hospedados no Refúgio da Ilha que nos proporciona, em ambiente família, a oportunidade de usufruir da beleza de uma natureza ímpar. Indescritível... o som dos pássaros e o silêncio da noite, o rio, seus peixes e jacarés, o céu azul e os tuiuiús, as surpresas de cada recanto, o escuro estrelado, tudo sabiamente acompanhado e explicado pelo nosso guia Zé.


E... claro, retemperando as energias dos passeios e caminhadas com uma comida pantaneira incrivelmente gostosa (vejam só o aspecto da mesa)!


Achamos muito curiosa a “sopa paraguaia” que de sopa só tem o nome... mas que é uma comida típica da região fronteiriça. Porque é que se chama sopa? Encontramos algumas explicações engraçadas... Luca Maribondo conta que originalmente seria mesmo um caldo, à base de cebola, queijo, ovos e gordura animal. Mas que a cozinheira terá errado a mão, colocou farinha de milho demais na panela e o que era para servido em sopeira, foi à mesa em travessa. Só que o jantar seria em casa do ditador Carlos Antônio López, manda-chuva, "m’buruvichá", do Paraguai entre 1844 e 1862. E, por ter gostado da nova iguaria passou a mandar servi-la com frequência! Verdade ou não, tinha bom gosto!
A sopa paraguaia é mesmo saborosa!
Há outras explicações e histórias… mas o bom mesmo é preparar garfo e faca e experimentar uma sopa aos pedaços!
Aqui fica uma sugestão de como fazer (receitas também encontramos várias, mas ficamos com esta daqui).

INGREDIENTES:

2 colheres de sopa de manteiga
2 cebolas médias picadas
4 espigas de milho debulhadas (ou milho em lata)
1 copo de leite
1 copo de água
3 ovos
1 prato fundo de queijo (meia-cura) ralado grosso
6 colheres de sopa de fubá (farinha de milho) fino
1 colher de sopa de fermento em pó
Sal

Para preparar:

Pique as cebolas e refogue na manteiga, juntando sal a gosto. Adicione a água e cozinhe até que comecem a se desfazer. Retire do fogo e deixe arrefecer.
Bata os grãos do milho no liquidificador com o leite, deixando alguns grãos meio inteiros. Despeje sobre o refogado de cebola frio, acrescente as gemas, o queijo, o fubá, o fermento e misture bem.

Adicione as claras batidas em castelo, cuidadosamente, com movimentos de baixo para cima.
Despeje a massa numa assadeira untada com manteiga e leve ao forno quente, até que se forme uma crosta dourada na superfície.

Pode ser saboreada ainda quente ou mesmo depois de arrefecer. Há quem diga que no dia seguinte ainda fica melhor...

Comemos a nossa ao jantar, depois de uma cavalgada e de muita aventura... ufa! descanso merecido para uns pantaneiros iniciados!

sábado, agosto 30, 2008

Canjica

(foto daqui)

Ainda na sequência do Intercâmbio Culinário e da parceria que fizemos com a Márcia, quisemos também fazer canjica.
Esta já não é novidade na nossa casa porque a vovó Nair costumava fazer sempre na Páscoa, 6ª Feira Santa. Já era costume assim na casa dos pais dela e habituámo-nos a ouvi-la dizer que por causa do jejum (??), precisávamos de ter à mão qualquer coisa mais forte para comer. E aí vinha a canjica!
Aqui em Portugal não é conhecido... aliás o milho branco, só mais recentemente tem sido utilizado, por causa da culinária africana que tem tido, nos últimos anos uma grande divulgação por aqui.

Também ficamos curiosos em saber mais qualquer coisa sobre a designação "canjica".
Ficamos a saber aqui que nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Goiás, pode chamar-se “curau”, e que no Rio de Janeiro encontra-se também como “canjiquinha” e, em Minas Gerais, como “papa de milho”. Será? Pensávamos que "curau" era feito com milho verde e não milho branco, como a canjica que conheço!
Também vi que se pode chamar de mugunzá! Realmente não há dúvidas que a comida vai se adaptando às diferentes regiões em que é utilizada e vai ganhando nomes e versões diferentes. Que riqueza!
Quem tiver mais informações que esclareça!

Parece também que o termo canjica vem do quimbundo africano - língua falada pela tribo dos bantos de Angola- Kanjika. Outros dizem que a palavra vem do malaiala - idioma de Malabar, região da Ásia – Kanji, significando “arroz com água”.

Parece ter sido costume, nas mesas da gente do Rio do Janeiro (mesmo antes da chegada da corte portuguesa ao Brasil, no início de 1800) ter quase sempre como sobremesa a canjica temperada com açúcar.

E olhem só as expressões que também são utilizadas:

“Pôr fogo na canjica”para apressar, animar. Ou “Socar canjica” para andar a cavalo, em trote, sem amortecer o choque do corpo na sela. No Rio Grande do Sul, estar, viver ou andar “com as canjicas de fora” significa rir.
Não é o máximo?

Agora a receita:

Precisa de

- 1/2 kg de canjica (milho branco)
- açúcar a gosto
- sal q.b.
- 1/2 litro de leite (pode precisar de mais um pouco)
- 1/2 colheres (sopa) de manteiga
- 2 paus de canela
- 1 vidro de leite de côco (há quem não utilize, mas lembro que a vovó colocava sempre)

- canela em pó para polvilhar
- também fica bom amendoim torrado e moído (era assim que comíamos em S. Lourenço, quando íamos de férias, para casa da tia Lourdes e do tio Zeca - que saudades!).

Fizemos assim:

Na véspera colocamos o milho de molho.
No dia pusemos a cozinhar, com uma pedrinha de sal (a água deve só cobrir), em fogo lento (o processo é o utilizado para o arroz dôce); pode utilizar a panela de pressão.
Quando estiver macio juntar a canela em pau, o leite e deixar apurar, cozendo lentamente, juntando o leite necessário para ficar bem cremoso.
Quase no final, juntar açúcar a gosto, o leite de côco e a manteiga. Deixar ferver mais um pouco para apurar (atenção: sempre fogo baixo, mexendo, com cuidado para não queimar).

E pronto...
Lá em casa ficava mesmo na panela e cada um ia se servindo, polvilhando com canela e/ou amendoím moído ou côco ralado.
Uns gostavam de comer ainda quente... eu preferia frio... a vovó dizia que no dia seguinte ainda era melhor.
Convém guardar no frigorífico porque pode azedar.
E pode voltar outra vez ao fogo, juntando-se mais leite para voltar a ferver e acrescentar o molho.

mais uma receita... e assim vamos passando, de "boca em boca", trocando-se sabores e memórias, fazendo-se história, num verdadeiro intercâmbio culinário!








segunda-feira, julho 14, 2008

Do Faial, bolo de tijolo


Estivemos ausentes por um bom motivo!
Passamos uns dias aproveitando a beleza dos Açores, visitando a ilha do Faial e Pico.
Quanta coisa bonita!
E quanta comida saborosa! Difícil passar para aqui todos os sabores, cheiros e cores!
Mas vou tentar dar uma amostra do que por lá encontramos.

E começamos por um tipo de pão, que é conhecido lá por "bolo de tijolo", por causa da forma como é cozinhado (em frigideira de barro, na chama do fogão). Achei delicioso! (a 1ª foto é daqui)
Parece que, tradicionalmente, era uma forma de terem rapidamente pão, porque não precisa nem de levedar, nem de se acender o forno.
E, como ingrediente, leva batata doce.
É comido a acompanhar a refeição, ou em substituição desta, com queijo, ou figo... ainda morno... uma delícia.



Comemos um delicioso no restaurante Lavrador, na ilha do Pico.




Aqui fica a receita, publicada por Isaura Rodrigues* (esposa do Zé Manel) que no restaurante A Arvore (Horta), nos delicia com comida caseira, tipicamente açoriana.

Ingredientes:

1 kg de farinha de milho
200 g de farinha de trigo
2 batatas doces médias cozidas
sal q.b.
2 l de água

Preparação:
Leva-se a água a ferver e quando ferve põe-se imediatamente por cima das farinhas. Mexe-se muito bem para escaldar as farinhas.
Quando está morna junta-se à massa a batata doce ralada e amassa-se muito bem toda a massa.
Faz-se bolos de massa e estende-se do tamanho da frigideira de barro ("tijolo de barro").
Coze-se em cima do fogão, em fogo baixo, até estar com bolhinhas, sinal de que está cozido.

* "As Receitas da Isaura", de Isaura Rodrigues (Ed.), 2006 (adquiri o livro no próprio restaurante)