sábado, setembro 13, 2008

Sopa Paraguaia... sopa?

Depois das óptimas férias que fizemos por terras brasileiras com os nossos queridos amigos António e Celeste, resolvemos partilhar os sabores encontrados fazendo uma “viagem gastronómica”. Contaremos das comidas e dos locais encantadores por onde fomos passando. É uma maneira de ir eternizando o tempo e as boas experiências.

Começamos a viagem pelo Pantanal, no Mato Grosso do Sul. Ficamos hospedados no Refúgio da Ilha que nos proporciona, em ambiente família, a oportunidade de usufruir da beleza de uma natureza ímpar. Indescritível... o som dos pássaros e o silêncio da noite, o rio, seus peixes e jacarés, o céu azul e os tuiuiús, as surpresas de cada recanto, o escuro estrelado, tudo sabiamente acompanhado e explicado pelo nosso guia Zé.


E... claro, retemperando as energias dos passeios e caminhadas com uma comida pantaneira incrivelmente gostosa (vejam só o aspecto da mesa)!


Achamos muito curiosa a “sopa paraguaia” que de sopa só tem o nome... mas que é uma comida típica da região fronteiriça. Porque é que se chama sopa? Encontramos algumas explicações engraçadas... Luca Maribondo conta que originalmente seria mesmo um caldo, à base de cebola, queijo, ovos e gordura animal. Mas que a cozinheira terá errado a mão, colocou farinha de milho demais na panela e o que era para servido em sopeira, foi à mesa em travessa. Só que o jantar seria em casa do ditador Carlos Antônio López, manda-chuva, "m’buruvichá", do Paraguai entre 1844 e 1862. E, por ter gostado da nova iguaria passou a mandar servi-la com frequência! Verdade ou não, tinha bom gosto!
A sopa paraguaia é mesmo saborosa!
Há outras explicações e histórias… mas o bom mesmo é preparar garfo e faca e experimentar uma sopa aos pedaços!
Aqui fica uma sugestão de como fazer (receitas também encontramos várias, mas ficamos com esta daqui).

INGREDIENTES:

2 colheres de sopa de manteiga
2 cebolas médias picadas
4 espigas de milho debulhadas (ou milho em lata)
1 copo de leite
1 copo de água
3 ovos
1 prato fundo de queijo (meia-cura) ralado grosso
6 colheres de sopa de fubá (farinha de milho) fino
1 colher de sopa de fermento em pó
Sal

Para preparar:

Pique as cebolas e refogue na manteiga, juntando sal a gosto. Adicione a água e cozinhe até que comecem a se desfazer. Retire do fogo e deixe arrefecer.
Bata os grãos do milho no liquidificador com o leite, deixando alguns grãos meio inteiros. Despeje sobre o refogado de cebola frio, acrescente as gemas, o queijo, o fubá, o fermento e misture bem.

Adicione as claras batidas em castelo, cuidadosamente, com movimentos de baixo para cima.
Despeje a massa numa assadeira untada com manteiga e leve ao forno quente, até que se forme uma crosta dourada na superfície.

Pode ser saboreada ainda quente ou mesmo depois de arrefecer. Há quem diga que no dia seguinte ainda fica melhor...

Comemos a nossa ao jantar, depois de uma cavalgada e de muita aventura... ufa! descanso merecido para uns pantaneiros iniciados!

7 comentários:

Marcia disse...

Nair querida
apesar de você não ter me procurado por aqui, eu entendo bem que as férias foram de emoçaõ total e tempo integral.
Bom que foi tudo bom, vamos nos falar mais vezes.
bj

Leonor de Sousa Bastos disse...

Boa noite:)


Ainda não tinha passado por aqui, mas depois do comentário de hoje, lá descobri o caminho...;)
Acho muito interessante essa ideia da "viagem gastronómica", a partir de agora vou estar atenta às receitas!...:)

Nana disse...

Adorei o post de vocês, andam bem aventureira né?!
Eu tb adoro fazer comidas de outros paises, saber o gostinho especial!!!
Bjss

Bergamo disse...

Passou por São Paulo não??
Abraços,
Bergamo

Carmencita disse...

Ficou lindo a narrativa ilustrada.Que interessante essa história da "sopa", e deve ser mesmo gostosa.Bjss

ameixa seca disse...

Adoraria provar essa sopa de garfo e faca ;) Que coisas mais lindas!

Anónimo disse...

Olá, sou morador do sul do Brasil, fronteira com o Uruguay, pampa gaúcho, meu avô foi tropeiro, e também carreteiro, transportava carvão do campo p a cidade, e também algumas vezes trazia milho, abóboras etc. O arroz carreteiro, é feito de charque, e arroz, somente isso, quando muito com batata inglesa ou doce, esse é o legítimo "carreteiro" pela facilidade de conservação e transporte de ingredientes, quando feito em casa, acompanha-se de feijão preto. As carretas eram fechadas,toldadas de latão,puxadas por quatro juntas de bois, São Gabriel no estado do Rio Grande do Sul, é a capital da carreta de bois, e lógicamente capital do arroz carreteiro!!! O charque de ovelha é o melhor p preparar o carreteiro, muito usado no Uruguay e Argentina,e no sul do estado do Rio Grande do sul, onde se encontra o Legítimo gaúcho!!!